Juntos, apaixonados e fanáticos por clubes de futebol já deram provas de que ocupar o mesmo espaço pode ser perigoso. Se neste meio estiver quem diz ser integrante de torcida organizada, mas que na verdade tem como objetivo praticar atos ilícitos, então, a explosiva mistura pode virar caso de polícia. Por isso, situações de ameaça, baderna e agressão ainda continuam sendo registradas dentro e fora dos principais estádios de futebol de Alagoas.
Apesar das tentativas de se impedir o avanço dos casos de violência envolvendo torcedores, a cada campeonato, cresce a preocupação por parte do Ministério Público Estadual (MPE) e da Polícia Militar, que tentam, ainda sem sucesso, dar um basta à violência nos estádios.
O receio, com isso, é o de que o confronto entre torcedores volte a fazer vítimas, como o jovem regatiano Jônatas Daniel dos Santos, de 24 anos, morto em 2012, à porta do Trapichão, por um torcedor do América de Natal.
E uma das medidas estudadas pelo Ministério Público Estadual (MPE) para tentar conter os registros de violência é a implantação do juizado do torcedor dentro do Estádio Rei Pelé. Entretanto, ainda não há previsão para isso acontecer, já que sugestão depende do Tribunal de Justiça de Alagoas.
De acordo com a promotora Denise Guimarães, da Promotoria de Defesa do Consumidor, o juizado iria atuar de forma objetiva e ágil junto aos infratores. "Com o juizado isso melhoria. Tudo seria feito no próprio estádio. Acredito que esta medida minimizaria e muito a violência", revelou a integrante do MPE.
Torcidas organizadas
É pensando em evitar confrontos como o registrado na última quarta-feira (06) entre torcedores de CRB e Santa Cruz-PE que o MPE e a Polícia Militar de Alagoas tentam disciplinar o acesso das torcidas organizadas aos estádios, a exemplo do pedido de extinção das duas maiores torcidas organizadas de Alagoas, a Mancha Azul (CSA) e Comando Vermelho (CRB), mas a Justiça não aceitou a ação.
"Chegamos a pedir a extinção das torcidas organizadas, mas o Tutmés Airan (desembargador) não concordou. Hoje acho que o problema não seja a torcida organizada, mas a falta de punição para os infratores", reforçou Denise Guimarães.
A integrante do MPE lembrou ainda que falta mais atenção pelo poder público, no sentido de se buscar soluções para o problema. Ou seja, maior fiscalização sobre quem vai para o estádio com o objetivo de praticar atos de vandalismo.
Venda de bebida fora do estádio e 'criminosos em torcidas'
A comercialização de bebidas alcoólicas no entorno dos estádios, principalmente o Rei Pelé, no Trapiche, agrava a situação, segundo Denise Guimarães. "Dentro do estádio ainda é proibida a venda de bebida, mas fora, não. Tentamos mudar isso, mas recorreram", reforçou a promotora.
Já o comandante de Policiamento da Capital (CPC), tenente-coronel Gilmar Batinga, disse que a situação já foi pior. Entretanto, ele reconhece que as torcidas organizadas ainda dão trabalho para a Polícia Militar. "Hoje as torcidas organizadas estão cumprindo algumas determinações como a ocupação de determinada parte do estádio", recordou.
O principal problema envolvendo as torcidas organizadas, segundo reconhecem promotores e a Polícia Militar, é que "algumas pessoas" com objetivos bem diferentes do que apenas torcer pelo seu clube favorito continuam se infiltrando nos grupos. "O problema é que tem gente ligada ao mundo do crime infiltrada dentro das torcidas organizadas", emendou o oficial.
Violência
E o Ministério Público segue a temer o pior. Isso porque outro exemplo de que as ações tomadas até então não têm sido suficientes foi registrado no fim do mês passado, quando torcedores do CSA invadiram o gramado do estádio Orlando Gomes, o Orlandão, no município de União dos Palmares. O incidente resultou em pancadaria envolvendo integrantes da Mancha Azul e militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).
Ao saber do caso através da imprensa, o promotor de Justiça de União dos Palmares, Antônio Villas Boas, solicitou a apuração do fato pelo Comando da Polícia Militar. “Baixei portaria e oficiei ao Comando da PM pedindo a apuração do caso. Também comuniquei esta medida ao presidente da Federação Alagoana de Futebol”, revelou o promotor.
Segundo o integrante do MPE, pode ter havido abuso por parte da Polícia Militar. “O poder público tem que atuar. Lugar de torcedor é na arquibancada, mas não se justifica excessos por parte da polícia”, acrescentou o promotor, acrescentando que o MP já agendou uma reunião envolvendo integrantes do MPE, PM e torcidas organizadas, para se discutir questões relacionadas ao campeonato. O objetivo, segundo ele, será a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), para se disciplinar os jogos que irão acontecer.
O promotor Max Martins, que também acompanha de perto as polêmicas envolvendo as torcidas organizadas, disse que a preocupação ressurge a cada início de campeonato. “Continuamos acompanhando de perto as torcidas organizadas. É uma preocupação permanente”, reforçou.
Ainda segundo levantamento do MPE, Alagoas já conta com cerca de dez torcidas organizadas. As três maiores mantêm ligação com CSA, CRB e ASA, os clubes de maior tradição no Estado.
Gazetaweb





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